Tratamento

Síndrome Mielodisplásica

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O tratamento da síndrome mielodisplásica depende do risco da doença, da idade do paciente, estado geral de saúde e da presença de sintomas. O objetivo pode ser controlar sintomas, melhorar a qualidade de vida ou tentar modificar a evolução da doença.

 

– Tratamentos de suporte (mais comuns em SMD de baixo risco):

Transfusões de sangue (hemácias e plaquetas): para corrigir anemia ou sangramentos.

Fatores de crescimento hematopoiético: eritropoetina (EPO), que estimula a produção de glóbulos vermelhos e G-CSF, que ajuda a aumentar glóbulos brancos e reduzir infecções.

Quelantes de ferro: usados quando há acúmulo de ferro por muitas transfusões.

 

– Tratamentos para a doença em si

Agentes hipometilantes, como azacitidina e decitabina, reduzem o risco de evolução para leucemia mieloide aguda e ajudam a melhorar a procuração de células sanguíneas e podem melhorar a produção de células sanguíneas.

– Transplante de medula óssea (TMO alogênico): único tratamento com potencial curativo. Indicado em pacientes mais jovens ou com bom estado clínico, geralmente em SMD de alto risco.

 

O TMO acontece assim:

Condicionamento – É um processo de preparo para o recebimento da medula óssea do doador. O paciente será submetido a um regime de quimioterapia em altas doses com o intuito de destruir a medula óssea do próprio paciente e de reduzir a imunidade para que seja evitada a rejeição.

Serão utilizados medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer, com o objetivo de destruir, controlar e inibir o crescimento das células doentes.

Transplante – Em seguida, as células-tronco doadas serão infundidas no paciente, com a finalidade de reconstituir a fabricação das células saudáveis. O procedimento se parece com uma “transfusão de sangue”. A nova medula óssea fica em uma bolsa. No caso de medula previamente congelada, utiliza-se um líquido conservante, que também pode causar alguns desconfortos, como náusea, vômitos, sensação de calor e formigamento. Mas o paciente será monitorado a todo momento.

Normalmente, o paciente permanece internado por mais de 15 dias para o acompanhamento da evolução no tratamento. 

Pós-TransplanteEsta fase é conhecida como aplasia medular, devido à queda do número de todas as células do sangue. Neste período, o paciente fica mais predisposto a infecções e passa a receber inúmeros antibióticos, além de medicamentos que estimulam a produção dos glóbulos brancos (que combatem as bactérias e vírus). 

Ele também pode apresentar hemorragias, devido à baixa das plaquetas, e anemia por baixa dos glóbulos vermelhos, sendo necessário realizar transfusão de sangue. 

Neste momento é muito importante: 

  • Reforçar os cuidados com a higiene 
  • Usar máscara em lugares públicos, muito movimentados 
  • Limitar o número e frequência de visitas 
  • Lavar sempre as mãos 
  • Evitar lâminas para se barbear ou depilar 
  • Evitar retirar cutículas 
  • Escovar delicadamente os dentes

Pega da medulaQuando a medula óssea começa a funcionar novamente (geralmente em torno de 2-4 semanas após a infusão) pode-se dizer que houve a pega da medula, ou seja, o transplante obteve sucesso e a medula voltou a funcionar perfeitamente. Ainda assim, o monitoramento médico continua sendo essencial, pois mesmo após um ano de procedimento, pode vir a aparecer alguma complicação tardia. 

A alta só será possível no momento em que a medula óssea estiver funcionando bem, ou seja, produzindo as células do sangue que protejam o paciente contra infecções e hemorragias. 

Após a pega da medulaNeste momento, o paciente estará sob uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do TMO, portanto ainda poderá apresentar sintomas de infecção como febre, calafrios, mal-estar, tosse e alterações urinárias. Mas é a doença do enxerto x hospedeiro o que mais preocupa. Isto porque a nova medula óssea, provinda do doador, passa a reconhecer os órgãos do paciente como estranhos e, automaticamente, iniciam um ataque contra eles. São dois os tipos:

  • Aguda: ocorre geralmente nos primeiros três meses após o procedimento. Pele, intestino e fígado são os órgãos mais frequentemente acometidos. Pode causar manchas vermelhas nas mãos, pés e rosto; manchas espalhadas pelo corpo; erupções na pele; febre; diarreia; dores abdominais; icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas devido alterações no fígado). 
  • Crônica: em geral ocorre após 3-4 meses do transplante e pode durar anos. Os principais órgãos acometidos são pele, mucosas, articulações e pulmão. Seus principais sintomas são lesões, enrijecimento e escurecimento da pele, coceira pelo corpo, boca seca e sensível, olhos secos e secura vaginal.